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quarta-feira, 9 de setembro de 2009



[] Leia a quarta reportagem da série

[] Leia a entrevista na íntegra com Marcelo Torres

[]Assista ao vídeo com o perfil do entrevistado








[]Leia a terceira reportagem da série

[]Leia a entrevista na íntegra com Ana Paula Padrão

[]Assista ao vídeo com o perfil da entrevistada











[]Leia a segunda reportagem da série

[]Leia a entrevista na íntegra com Adriana Carranca

[]Assista ao vídeo com o perfil da entrevistada










[]Leia a apresentação da série

[]Leia a reportagem

[]Entrevista na íntegra com Marcos Losekann

[]Entrevista na íntegra com Carlos Reiss

[]Assista ao vídeo com os perfis dos entrevistados



Entrevista - Marcelo Torres

Viajante do mundo, o jornalista Marcelo Torres já percorreu diversos países em busca das mais diferentes reportagens, seja para mostrar os efeitos do aquecimento global no Kiribati ou as tradições árabes nas ruas estreitas de Teerã. Desde 2005 na equipe de jornalismo do SBT, o atual correspondente da emissora na Ingleterra já passou por grandes empresas jornalísticas como a britânica BBC e pela TV Globo, em Minas. Aventureiro assumido, o jornalista concedeu uma entrevista, em plenas férias no nordeste brasileiro, para o JE Informa sobre a sua viajem à Rússia, no começo do ano.



Por Egnaldo Lopes,
egnaldo@jeinforma.com
editor do JE em Goiânia

JE Informa - Qual a motivação para a série de reportagens na Rússia? É fácil ir ao país falar sobre o mesmo, já que tudo aparenta ser tão restrito e controlado pelo governo? Conte-nos como foi o trabalho de pré-produção para o desenvolvimento daquele trabalho.

Marcelo Torres - A Rússia não é necessariamente um país que persegue os jornalistas. No que depender de autorizações oficiais, tudo é sim muito difícil, mas faço a ressalva de que lá ninguém faz uma patrulha ideológica para saber do que o jornalista está falando, como acontece, por exemplo, no Irã ou na China. Quando eu tentei cobrir o aniversário do massacre de Beslan, há 3 anos, o governo só me deu visto para viajar depois que a data tinha passado. Dessa maneira, eu não iria ver nenhum protesto das mães contra o governo. Esse tipo de manobra acontece. Obviamente, é um país com muitas máfias também. Muitas a serviços de políticos. Esse é um cuidado a ser sempre levado em consideração. Na pré-produção, me empenhei em encontrar uma boa tradutora e em ler muito sobre o país. Foi minha quarta visita, então eu já tinha uma ideia do que ia encontrar pela frente.

JE - Você relatou em seu blog, sobre a série especial de reportagens para o SBT, uma situação em que, junto ao cinegrafista Azul Serra, encontrou, em decorrência da ação da polícia russa, certas dificuldades e aborrecimentos ao mostrar o lado pobre do país. Como se deu isso? Teve outros momentos de dificuldade para reportar as notícias na Rússia?

Isso foi uma vertente autoritária da polícia que presenciamos na rua. Disseram que não tínhamos autorização para filmar num mercado de rua. O mercado era todo aberto, mas, de acordo com eles, faltou autorização. Esse tipo de situação pode ocorrer em qualquer país, inclusive no Brasil. A diferença foi a forma truculenta com que fomos tratados, inclusive com policiais empurrando o cinegrafista. Policiais pagos pelo estado, mas que ali, claramente, estavam prestando serviços para um grupo privado. Moradores informaram que faz parte do esquema de corrupção ter esses "aparelhos" em alguns bairros e cidades menores.

JE - O maior desafio do jornalista naquele país é passar a verdade dos fatos, independente das limitações impostas pelo governo? Essas limitações são explícitas ou se restringem ao fato de ser a Rússia um país em que morrem jornalistas oposicionistas ao governo? É possível exercer a profissão em compromisso apenas com a verdade dos fatos?

Como disse antes, na Rússia é tudo muito sutil. Há jornais críticos ao governo e eles são "permitidos", mas, só no Novaya Gazeta, cinco foram assassinados nos últimos anos sem que o governo tenha se empenhado muito em esclarecer os casos. O governo também se esmerou em aumentar a influência em todos os canais de televisão e controla, além disso, os governos estaduais, que não são eleitos pelo voto do povo. Assim, as tevês regionais também acabam por seguir a linha do governo central. Existe jornalismo crítico, mas ele ficou acuado num canto.

JE - E quanto à falta de liberdade de expressão por parte da população em si? Você esteve em contato com várias pessoas e jornalistas russos, aqueles agradecidos por maior modernidade e estes queixosos da perseguição do governo Putin; o povo russo sabe e é conivente com esta limitação à informação? Não pôde perceber inquietude por parte da população que tem que ter autorização para se manifestar?

Acho que a maioria do povo não está muito incomodada. “O Putin põe comida na mesa”, foi o que eu ouvi de muitos. O povo russo passou por tantas décadas de repressão que parece ter desaprendido a criticar o governo. Muitos estão desencantados, desanimados, acham que não adianta protestar. É um povo que aprendeu a ser pragmático.

JE - Você pôde conhecer, em Ecateremburgo, o local em que foi morta a família do último czar russo, Nicolau II, que em São Petersburgo não permitiu manifestações populares, culminando no “domingo sangrento” em que várias pessoas foram mortas ao reivindicar melhores condições de vida e trabalho. Num país em que a população é quase na totalidade alfabetizada, foram tiradas lições em decorrência de acontecimentos históricos como este?

Acredito que hoje, a maioria da população lamente pelo assassinato da família. Mas se olharmos de perto, a história russa é cheia de episódios muito violentos, a começar pelos crimes perpretados pela própria família Romanov. Nicolau II era tipo como um pai afetuoso, mas um governante implacável com a oposição. Não saberia dizer se a Rússia aprendeu a lição. Acredito que o mundo moderno evoluiu e passou a entender cada vez mais que pena de morte não resolve nada. Isso não quer dizer que práticas cruéis não continuem a fazer parte da rotina do poder. E na Rússia, assim como no Brasil (vide nossas cadeias), acho que tudo isso persiste.

JE - Seja no império, no comunismo ou no capitalismo, a desigualdade social vem assolando o país durante séculos. Vê soluções para tal problema social?

Acho que instituições fortes e governo focado no crescimento podem resolver. Mas não será da noite para o dia num país que tem as instituições em frangalhos.

JE - Já esteve, mesmo pelo SBT, desenvolvendo várias outras reportagens especiais pelo mundo. Em comparação com os outros lugares em que esteve, a Rússia representou um desafio maior?

Não necessariamente. Minhas viagens ao Irã, Iraque e Afeganistão foram muito mais desafiadoras. Em Teerã, não conseguia dar dois passos na rua sem ser parado por policiais, que checavam o calhamaço de autorizações para poder filmar nas ruas. Mesmo na China, senti um ambiente muito mais hostil. A Rússia é um país de democracia intermediária. Não é tão democrático quanto o Brasil nem tão ditatorial quanto a China. Acho que se fôssemos fazer uma escala de democracia nos Brics, pela ordem, teríamos: Brasil, Índia, Rússia e China. Seriam os Birc...

Os Riscos da Informação na Rússia



Rússia - um país repleto de contrastes. Sua população viveu a era imperialista em que os czares dominavam tudo conforme a vontade própria; a era comunista em que a liberdade de expressão era tão reprimida quanto; e atualmente vivencia o capitalismo em suas mais variadas nuances: a desigualdade social prevalece sem que as pessoas tenham alternativas concretas no que concerne a uma maior possibilidade de mudança.
Os ricos da informação num país em que morrem jornalistas sem que se façam investigações e, portanto, ninguém é punido é o que você passa a conhecer agora.

Por Egnaldo Lopes
egnaldo@jeinforma.com
editor do JE em Goiânia


“Um miliciano de camiseta preta e calça de camuflagem ajoelhou-se no banco do passageiro da frente e mirou o fuzil no meu peito, gritando. Abri a porta à minha direita com tanta força que a maçaneta saiu na minha mão. Pulei na estrada”. Este é o relado do jornalista Lourival Sant’Anna, publicado no jornal O Estado de São Paulo ao tentar escapar de um confronto entre os militares da Rússia e da Geórgia que aconteceu durante a guerra entre os mesmos em agosto do ano passado quando o governo georgiano decidiu lutar para resgatar o território da Ossétia do Sul, uma província separatista que, com apoio russo, resistiu aos ataques, o que resultou em centenas de mortes de todos os lados.

Lourival foi, inclusive, preso e interrogado na Ossétia do Sul. Esta desavença já dura muito tempo e tem momentos de conflitos armados, com a interferência do ocidente, categoricamente representado pelo apoio dos Estados Unidos à Geórgia, o que transparece sem dúvida, a eterna ‘rixa’ entre a Rússia e o país do Tio Sam.

É neste emaranhado de províncias, territórios e cidades federais que se estabeleceu uma política atual de busca por maior acessibilidade da população aos bens de consumo, tendo em vista o crescimento econômico dos últimos anos, e pelo melhor bem-estar para a população economicamente ativa; mas que ao mesmo tempo restringe manifestações populares, por exemplo, já que este não é um direito inerente a qualquer cidadão que queira reclamar das ações do governo. Para se manifestar, é preciso autorização.


Jornalista Lourival Sant’Anna sendo levado para da Ossétia do Sul após ser preso e interrogado.

A população vive em um estado de submissão quase que completa em relação às ordens governamentais personificadas modernamente na figura de Vladimir Putin, o atual primeiro-ministro que tem tudo pra permanecer no poder por tempo indefinido, exercendo sua influência direta inclusive na eleição dos próximos presidentes da Rússia como aconteceu com o atual, Dmitri Medvedev, nas últimas eleições presidenciais em que até as prerrogativas dos cargos de presidente e primeiro-ministro foram alteradas para possibilitar a continuação do poder nas mãos de Putin, líder russo que veio da polícia investigativa controlada pelo governo, a KGB (Comitê de Segurança do Estado), lugar em que aprendeu as suas mais variadas técnicas de governabilidade ditada pelo militarismo fortificado e repressor.



Hoje, não há guerra ostensiva em território russo e é neste cenário que o jornalista brasileiro, Marcelo Torres, correspondente internacional do SBT na Inglaterra – frequentemente escalado para fazer reportagens especiais nos mais variados lugares do planeta – encontrou um país em que não se vê nas grandes cidades uma repressão tão descarada por parte do governo, mesmo porque a população não demonstra sinais de descontentamento e a criticidade da imprensa local é praticamente inativa: “Há jornais críticos ao governo e eles são "permitidos", mas, só no Novaya Gazeta, cinco foram assassinados nos últimos anos sem que o governo tenha se empenhado muito em esclarecer os casos. O governo também se esmerou em aumentar a influência em todos os canais de televisão e controla, além disso, os governos estaduais, que não são eleitos pelo voto do povo.

Assim, as tevês regionais também acabam por seguir a linha do governo central. Existe jornalismo crítico, mas ele ficou acuado num canto.”, conta o jornalista em entrevista exclusiva ao JE Informa, feita por e-mail.

Anna Politkovskaya é uma destas jornalistas do Novaya Gazeta: morta após fazer uma série de duras críticas ao governo russo. A jornalista mostrava as dificuldades sofridas pela população e denunciando abusos cometidos pelos militares russos durante os diversos conflitos armados dos quais fez a cobertura jornalística. Foi presa durante a guerra da Tchetchênia em 1999; misteriosamente envenenada em 2004 e morta dois anos depois, quando chegava em casa após um dia de trabalho. As investigações não chegaram a lugar algum, mesmo porque assim não poderiam, sob ordens de quem detém o poder na Rússia.

Hoje há um prêmio que leva o nome da jornalista para homenagear profissionais que merecem destaque pelo posicionamento comprometido com a verdade dos fatos e recentemente foi recebido por Natalya Estemirova, ex-colega de Politkovskaya, morta em julho deste ano na Tchetchênia, uma das Repúblicas da Federação Russa, quando investigava planos de milícias para incendiar casas de civis. O ‘Memorial’, grupo russo de defesa dos direitos humanos, pra quem ela trabalhava no caso, culpa o governo.

Foi investigando a morte de Anna Politkovskaya que o ex-tenente da KGB e por último escritor e jornalista, Alexsander Litvinenko, opositor de Putin, também foi assassinado através de envenenamento com Polônio-210, um material radioativo que fez com que fosse definhando e agonizando até a morte.


Os jornalistas Anna Politkovskaya e Alexsander Litvinenko, assassinados após criticas ao governo Putin.

Investigação novamente não faz parte do vocabulário do Serviço de Segurança da Federação Russa, o FSB, que assumiu as principais atribuições da antiga KGB, extinta com o fim da URSS. O poderio militar que o país, economicamente dependente das exportações de petróleo, encontra receita também na venda de produtos que vão abastecer o conflito armado em todo o planeta, sem distinção de nações através de uma padronização recomendada pelos organismos internacionais; o que vale é o lucro e a solidificação da união com países necessitados de produtos que a Rússia pode fornecer, independentemente de questões morais ou humanitárias. É a busca cada vez mais intensa em se distanciar do poderio dos Estados Unidos no mundo.



Estas questões ficam restritas mais à imprensa internacional, mas a população russa sabe o caminho que o governo decide tomar. Reflexo do governo socialista, os russos são praticamente todos alfabetizados; o país tem um dos centros de cultura mais importante do mundo, o Teatro de Bolshoi. O povo da Federação Russa abre mão de certa liberdade em troca das melhorias trazidas pelo governo; é uma conivência em relação aos atos do governo frente aos que tentam reportar os fatos, mesmo que sejam relativos a abusos cometidos em detrimento à própria população.

Não foi sempre assim, mas no momento em que a população tentou se fazer ouvida, o resultado foram várias mortes: o czar Nicolau II, em São Petersburgo não permitiu manifestações populares, culminando no chamado “domingo sangrento” em que várias pessoas foram mortas ao reivindicar melhores condições de vida e trabalho, mas foi este um dos fatos mais simbólicos na representação da mudança para um governo socialista, com a queda do imperialismo. A questão é que, na União Soviética de Lenin a situação de miséria e desigualdade social persistiu com a ascensão de Stalin que controlava a tudo e a todos.

Do império ao capitalismo: mazelas sociais e falta de liberdade de expressão.

Nicolau II, o último czar Lenin Stalin Iéltsin Putin, o primeiro-ministro militar

O irreverente Boris Iéltsin, primeiro presidente da era pós-socialista, iniciou um trabalho de privatizações extremamente mal feito, vendendo todas as empresas estatais a preço bem abaixo do valor real: as mazelas sociais persistiram. Putin dá inicio a uma política de dar aos russos o poder de consumo de bens e produtos dos mais variados aspectos: é o fascínio exercido pelo capitalismo numa sociedade ainda acostumada a sofrer as constantes mudanças de sistemas governamentais. “‘O Putin põe comida na mesa’, foi o que eu ouvi de muitos. O povo russo passou por tantas décadas de repressão que parece ter desaprendido a criticar o governo. Muitos estão desencantados, desanimados, acham que não adianta protestar. É um povo que aprendeu a ser pragmático.”, acrescenta Marcelo Torres.


Marcelo Torres e a tradutora Ekaterina Kopteva, em Moscou/ Arquivo Pessoal

A ida, em junho deste ano, do correspondente do SBT à Rússia, com o repórter cinematográfico Azul Serra, foi para a realização da série de reportagens denominada ‘Diário Russo’ em que pôde constatar que as coisas não permanecem inalteradas: neste ano, o crescimento do PIB do país não vai se fazer presente e isso pode sim significar uma queda da popularidade de Putin, muito embora ele ainda tenha muito do que se vangloriar, já que a maioria absoluta da população ainda o apóia e há muito o que ser desgastado para uma eventual reação do povo, mesmo porque todo o mundo sofre recessão em decorrência da crise econômica mundial.

A série de reportagens do jornalista brasileiro mostrou a realidade de um país ainda em processo de adaptação aos novos ares: “Obviamente, é um país com muitas máfias também. Muitas a serviços de políticos. Esse é um cuidado a ser sempre levado em consideração.”, conta Torres.


Marcelo Torres em Ecateremburgo: ao fundo, a ‘Igreja de Sangue’, local em que foi morta a família do último czar russo, Nicolau II. / Arquivo Pessoal


A potência emergente que com o Brasil, a Índia e a China, forma o BRIC, cresce e mostra estar concentrada nas mãos de um homem só: um militar frio e voltado à um plano político e militar que garanta sua continuidade no poder e por/para isso exerce o controle absoluto dos mecanismos que acredite serem importantes e estratégicos, numa demonstração de que há poder globalizado que não emane apenas da ainda maior potência econômica mundial. Democracia? Marcelo Torres responde: “A Rússia é um país de democracia intermediária. Não é tão democrático quanto o Brasil nem tão ditatorial quanto a China. Acho que se fôssemos fazer uma escala de democracia nos Brics, pela ordem, teríamos: Brasil, Índica, Rússia e China. Seriam os Birc.”.

É neste cenário que jornalistas buscam reportar os fatos. Não há neste país uma ideologia bem definida, com uma imposição e vigília constante do governo, como acontece na Coreia do Norte, pois o governante sabe que não precisa se deslocar muito para se fazer ser ouvido e a população sabe que precisa apenas se submeter a tais determinações para que possam ter o gozo imediato das particularidades do mundo contemporâneo e globalizado: basta não incomodar o governo, e assim faz também a maioria dos profissionais locais, já que são controlados por Putin, inclusive.



Seja como jornalista ou como cidadão, o governo russo dificilmente irá perturbar ou interferir, mesmo porque não há uma preocupação em se esconder tudo dos russos ou mesmo do mundo, mas não queira atrapalhar os seus planos, colocando empecilhos ao se divulgar o que se é feito de forma velada: reputação não é exatamente o que se quer, mas sim a governabilidade cada vez maior e Putin sabe que isso depende de certa aceitação por parte dos outros países, num mundo globalizado em que o jogo de interesses predomina.

+ Conteúdo
[] Leia a entrevista na íntegra com Marcelo Torres

[] Assista ao vídeo com o perfil do entrevistado



[] Leia o relato de Lourival Sant'Anna no Estadão

[] Leia o Blog do Jornalista Marcelo Torres

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Você tem fósforos?

Em alguns países ele é crime, em outros bem tolerado. Veja o posicionamento de seis nações e uma cidade diante do consumo do cigarro ao redor do mundo.

do JE em São Paulo


Butão
Não existe nenhum outro país no mundo com lei tão rígida contra ao fumo quanto o Butão. Esse pequeno país asiático, com 700 mil habitantes e com apenas 1% da população fumante, baniu totalmente o fumo em 2004. Quem entrar com cigarros no país pode ter que pagar multa de 100% do valor da mercadoria, quem for pego vendendo cigarros paga multa de quase 600 reais. O Butão, uma monarquia, é conhecido por suas leis rígidas. Até dez anos atrás era proibido ver televisão, por exemplo...

São Paulo
O estado mais importante do país agora tem uma das leias mais rígidas contra o fumo, isso porque não dá margem a criação de fumódromos em nenhum local fechado em empresas, hotéis ou restaurantes. Fumo somente ao ar livre, ou então dentro de casa, de preferência da casa do fumante. A lei que entrou em vigor no estado só não é tão rígida pelo quesito punição, onde não há aplicação de multa direta para quem fume, mas sim para o responsável pelo local onde está o fumante.

França
O típico francês no imaginário comum é um homem de boina, camiseta listrada, lenço no pescoço e com cigarro na mão, rodeado por fumaça e cheiro de tabaco. A imagem, acredite, é considerada símbolo presente na cultura francesa. Mesmo assim, o cigarro foi proibido no país desde o início de 2007 em lugares fechados, mas diferentemente de São Paulo, permite espaços reservados a fumantes em restaurantes, por exemplo, desde que, nesses casos, não haja a entrada de qualquer tipo de serviço nos locais, como garçons. A lei é cumprida na França, e às vezes até com certa severidade. Em abril, dois pôsteres de lançamento do longa-metragem da Coco Chanel, uma das musas da moda francesa, tiveram que ser trocados pelos distribuidores do filme. O motivo, segundo as autoridades da França, era o cigarro que atriz protagonista da trama segurava nas fotos.


Cartaz de lançamento do filme da Coco Chanel. Sem cigarros. Adesivos de nicotina, talvez...


Marrocos
O país africano proibiu ano passado o fumo em locais fechados, como bares e restaurantes, além de escolas e repartições públicas. A multa para quem desrespeitar a regra é individual e chega a quase 110 reais, dobrando o valor numa reincidência. O problema do país, no entanto, não é o cigarro. O famoso narguilé, casa vez mais comum em baladas aqui no Brasil e consumido feito água em países de influência árabe, como o Marrocos, equivale a fumar 100 cigarros tradicionais.

Japão
Os japoneses não restringem o fumo. Mesmo assim, em alguns locais ele é proibido, como estações de metrô e em alguns prédios públicos. Existem ruas na capital Tóquio onde é proibido fumar, mas, nesses casos, há espécies de casas de fumo nos locais.

China
Somente em maio do ano passado, com a chegada das Olimpíadas, a China começou a proibir fumo em prédios públicos, hospitais e escolas. A multa para quem desobedecer é alta para os padrões chineses, cerca de 2 reais.

Cuba
Fala sério, você acha que na ilha de Fidel Raul Castro há proibição de fumo? Com os charutos cubanos, que chagam a equivaler 10 cigarros normais, os cubanos só não viram maços de tabaco ambulantes porque não podem pagar... Bincadeira! Falando sério, na ilha de Cuba o fumo é proibido em meios de transporte, como ônibus e aviões, assim como no restante da América Latina.

Rússia
O país onde há poucas leis antitabaco e onde o número de fumantes triplicou na última década não faz lembrar nada o seu passado. No século XVII, havia proibição ao fumo que, naquela época, consistia propriamente em cheirar o tabaco. Quem desrespeitasse a ordem tinha o seu nariz decepado. Esse caso ligava-se mais a interesses comerciais, devido a importação e exportação do tabaco, do que propriamente à poluição que ele causava.

quinta-feira, 13 de março de 2008



Darfur, Kosovo, Chechênia. Essas três regiões do planeta vivem hoje conflitos em comum. Talvez, conflitos não tão comuns quanto entre nações rivais, movidos principalmente por interesses políticos e econômicos. Os ataques nessas três regiões não vêm de fora. O inimigo, literalmente, dorme ao lado.


Por Fernando Galacine, do JE em São Paulo


Com exceção do continente europeu e de raros países da Ásia, todo o resto do mundo já sofreu algum tipo de colonização desde a Idade Moderna. O desejo de formar novos e grandiosos impérios era o ideal das expedições marítimas do Velho Mundo e também dos líderes de diversas potências mundiais. Visando enormes áreas de recursos, principalmente minerais, as nações colonizadoras sufocavam dentro de fronteiras artificiais, diversas minorias étnicas, quase todas com extrema rivalidade entre si. Ignoradas pelo governo, e oprimidas por outros povos no mesmo território, essas minorias se rebelaram. E aí, na maior parte dos casos, houve dois caminhos. Ou essas minorias acabaram aliando-se a grupos terroristas, como no caso dos chechenos, e até criando outros como o ETA, ou então essas minorias desapareceram, dizimadas por outros grupos radicais, muitas vezes apoiados por quem estava no poder do país.



Hoje, em qualquer lugar do mundo, um conflito pode ter as mais diversas razões. À medida que um país ou uma região apresentem fatores que possam desencadear um processo bélico, mais perigoso ele é. Se o país é rico em petróleo ou em diamantes, se tem uma população predominantemente jovem, grupos étnicos que dominam sumariamente outras minorias e um governo inerte em relação a todos os confrontos, muitos especialistas serão unânimes em afirmar que para acontecer uma grande catástrofe humanitária no país não faltará mais nada.

O Sudão, o maior país da África, apresenta todos esses fatores. O resultado é segundo maior genocídio da história africana, perdendo apenas para o do Congo, com mais de 300 mil mortos e 2 milhões de refugiados. A província de Darfur se transformou em um verdadeiro campo de guerra quando o próprio governo sudanês resolveu criar e incentivar uma milícia para dar fim aos protestos por melhores condições de vida na região. Juntamente com as forças armadas do governo, as milícias atacaram diversos vilarejos, saqueando moradores, os expulsando de suas casas e incendiando tudo, para que os moradores não pudessem voltar. O genocídio, que acontece desde 2003, só virou destaque agora, quando o mundo, ou parte dele, se mobilizou para deter os crimes em Darfur. Mas muito pouco foi feito na prática até agora. Soldados da União Africana já foram enviados ao local, mas não fazem nada senão observar as atrocidades.

A idéia é que na presença de estrangeiros houvesse uma inibição por parte das milícias em praticar os crimes. Não funcionou. A ONU também já enviou cerca de 20 mil homens à zona de conflito, mas graças à China, elas também não poderão reagir armadamente. Com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, Pequim se opôs aos embargos propostos para o Sudão. O maior projeto petrolífero da China no exterior fica justamente no país africano. E para não perder os investimentos já feitos, a China matem relações muito próximas com o Governo de Cartum, inclusive vendendo armas a ele. Todas usadas para o genocídio. Genocídio gerado por questões étnicas, sustentado pelo petróleo.



Muitos especialistas falam que é preciso reduzir cada vez mais a dependência de petróleo, principalmente das grandes nações do planeta. Mas a verdade é que daqui a pouco mais de uma década e meia o mundo precisará ainda mais desse recurso natural. Entre as grandes nações está a China, que praticamente dobrará a demão de petróleo em quinze anos. Para não frear o crescimento, Pequim investe, assim como no Sudão, em outra reserva importante de petróleo no planeta: a região do Cáucaso. Entre a Europa e a Ásia, a região sempre foi marcada por inúmeros conflitos, passando desde o Império Russo, os czares, até Stalin. Em comum a perseguição ao povo checheno. Em 1991, com o fim da União Soviética, diversos estados surgiram no Leste Europeu. Na região do Cáucaso, mais precisamente de dentro do território russo, surgiram a Armênia, o Azerbaijão e a Geórgia. Meses mais tarde, quando a Chechênia também declarou sua independência, o Governo russo atacou. Ao contrário dos vizinhos, os chechenos foram considerados rebeldes.



Moscou invadiu a região da Chechênia com todo o seu exército, mas saiu derrotada de lá. Na entanto, a Rússia não iria deixar por isso mesmo e segundo acusações, montou um plano monstruoso. Em 1999, atentados a bomba aconteceram na capital russa, matando centenas de civis. O então Presidente Vladmir Putin responsabilizou os grupos terroristas chechenos como autores. Como sempre foram oprimidos pela Rússia, os chechenos se uniram a radicais islâmicos, adotando formas de treinamentos terroristas como as usadas no Oriente Médio. Por essa razão, alegada pelo Kremlin, a Chechênia foi atacada, desta vez com muito mais potência: cidades inteiras foram dizimadas, incluindo a capital, Grozny. O que sobrou do país foi forçadamente anexado de volta à Rússia.

O mundo talvez não desse mais tanto destaque à situação no Cáucaso após a guerra, senão fosse um acontecimento assustador em Londres, em dois anos atrás. O ex-espião do serviço secreto russo, Alexander Litvinenko morrera envenenado misteriosamente por uma substância altamente radioativa, o Polônio-210. A substância fora servida a Litvinenko disfarçadamente numa xícara de chá, num café da capital inglesa. Meses antes, o ex-espião dissera que o Governo russo havia sido o responsável direto pelos atentados a bomba em Moscou, em 99, utilizando-se disso como pretexto ideal para invadir a Chechênia, sob a alegação de combate ao terrorismo. Litvinenko deu nome a todos os acusados e disse que se algo acontecesse a ele a culpa seria do então Presidente Vladmir Putin.

As investigações da polícia britânica apontaram o próprio serviço secreto russo como o principal suspeito pelo envenenamento do ex-espião. Hoje a Chechênia é uma bomba que pode voltar a explodir a qualquer momento. A Rússia sabe que se isso acontecer, a explosão levará junto a enorme quantidade de petróleo e gás natural da qual os russos tanto precisam, diante de uma crise energética que já está acontecendo. Situação pior só existiria se outro país vizinho conseguisse, quase aos moldes unilaterais chechenos, uma independência. E para o desespero do Kremlin, Kosovo conseguiu isso.



Desde a Segunda Guerra Mundial, o número de países no mundo mais que dobrou: dos 70 países, mais 130 foram criados após o término dos conflitos. A grande responsável por isso foi a Carta das Nações Unidas, assinadas pelas potências da época e que dava direito a cada povo, que constituía uma nacionalidade, de determinar um novo governo e claro, um novo território. Mas nem todos conseguiram fazer plenamente essa divisão. Hoje no mundo inteiro, há cerca de 30 conflitos com fundo separatista espalhados pelas mais diversas regiões, mas, sobretudo, no Ásia e Leste Europeu. Neste último, como você acabou de ler, a Chechênia luta para se tornar independente, apesar de já ser virtualmente autônoma.

Caso semelhante aconteceu no Kosovo, uma província da Sérvia que hoje se declara independente. A Sérvia, que você já deve ter ouvido falar principalmente nos jogos de vôlei, quando ainda era ligada a Montenegro, fazia parte da Iugoslávia, que ruiu após o fim da União Soviética. Da Iugoslávia, foram criadas a Croácia, a Macedônia, Montenegro que pacificamente através de um referendo se separou da Sérvia em 2006, e Kosovo.

Não é de hoje que a província tenta a sua independência. Vivendo no Sul da Sérvia, a minoria de albaneses sempre sonharam com sua liberdade. Na Guerra do Kosovo, também em 1999, a OTAN (Tratado das Forças da América do Norte) teve que intervir e estava lá até agora. A Sérvia não aceita de jeito algum a independência de Kosovo, porque afirma que a província é o berço da cultura sérvia, de fé católica ortodoxa. Porém no território kosovar, 90% da população é de origem albanesa, apenas 100 mil habitantes são sérvios e estes vivem ao norte da província, na fronteira com a continuação do território sérvio, por medo dos extremistas albaneses.

Para um território ser considerado um país, além de se analisar toda uma estrutura, como uma identidade nacional em comum e um território, por exemplo, é necessário que a ONU o reconheça como tal. Para isso, é necessário que o Conselho de Segurança da ONU, peça que seja realizada uma votação na Assembléia Geral, formada por todos os países membros, incluindo o Brasil, para que seja aceito ou não, como mais um membro e, portanto, como mais um país.



Com veto dessas nações, Kosovo não pode ir de imediato para a votação na Assembléia Geral, apesar da sua independência ter sido indicada e assistida pela própria ONU. A Rússia, por motivos óbvios, não quer que Kosovo seja declarado um país, com a Chechênia no seu próprio calcanhar. “As criações dos Estados-nações, foram apagamentos dessas pequenas nacionalidades. A Espanha, por exemplo, não apoiou a independência do Kosovo, justamente porque também lida com um grupo separatista. Não faria sentido essas nações apoiarem Kosovo, elas perderiam o controle dentro das próprias fronteiras” diz o Professor do Departamento de Geografia da USP, Manoel Fernandes.



Como vários outros países igualmente importantes, como França, Reino Unido e Estados Unidos apoiando a independência, Kosovo segue aparentemente imune aos protestos sérvios e russos. Tanto que já planeja várias ações dignas de qualquer outra nação do mundo. Recentemente o governo kosovar, requereu a participação nas Olimpíadas de 2008 em Pequim, ironicamente com a China sendo contra a independência. Mas é muito provável que a participação não aconteça, pelo menos não como um país. Kosovo até mandaria atletas, mas eles participariam como independentes. Fora tudo isso, a Sérvia não deve entrar em confronto num curto espaço de tempo, afinal os albaneses são a maioria no território e os russos esbarram nas forças da ONU, no local.

Sem fronteiras

No final das contas é interessante pensar como o mesmo sistema que defende um mundo cada vez mais globalizado, e, portanto, sem fronteiras, seja o mesmo que apóie divisões de territórios em lugares conhecidamente estratégicos e desaprove em lugares igualmente rentáveis. Afinal, Kosovo apesar sempre ter tido certa autonomia, fazia parte oficialmente da Sérvia e esta ligada diplomaticamente com a Rússia. No caso de futuras extrações de petróleo e outros recursos minerais na região, os kosovares ficariam em débito com quem? Com quem apoiou a independência ou com quem não apoiou? “Na verdade, o Imperialismo vê com interesse esses conflitos. Para ele é vantajoso vender a idéia de que, num bando de selvagens, é ele quem pode pacificar tudo.” Diz o Professor Manoel Fernandes. “Se há conflitos por causa da produção de petróleo, diamante ou até drogas, é porque existe em grande mercado que os consome, e que movimenta muito dinheiro. Quem é o maior consumidor de petróleo e de drogas no mundo?” Questiona o professor. As fronteiras do mundo ainda serão modificadas e não se tratará de questões internacionais como aconteceu aqui ao lado, entre Equador e Colômbia. O adversário de cada nação vive dentro das fronteiras que cada uma traçou a seu modo, visando o poder e não vendo a rebelião ao lado, com chances de explodir mais facilmente do que o tão cobiçado petróleo.